Os dias já não estavam tão densos como antes.
A densidade existia, mas ela agora habitava outra dimensão.
Voava raso sobre a espuma da vida.
Olhava para baixo e podia ver que tudo era mais profundo.
Mas precisava de ar...
Deixou de lado o equipamento de mergulho, abriu os braços e flutuou...
Deixo o corpo a deriva...
Parou de nadar...
Se deixou levar pela onda...
Parou de calcular.
Os malditos números insistiam em ficar.
Tudo virava conta...
De tanta conta cansou-se dos números e casou-se com as letras.
As letras permitiam que ela navegasse sem amarras, com uma visão além do alcance.