quinta-feira, 30 de junho de 2016

Decifrar Pensamentos

Então eu gosto mesmo é de decifrar pensamentos.
Olhar para eles com calma.
Ver como se comportam em cada cabeça...
Se permanecem sentados, deitados, ativos ou atados.

Se passeiam em outros lugares, se caminham ao som de música ou tempestade. 

Se calmo ou hostil
Se saudável ou febril.

Gosto dos meus pensamentos verdes, frescos, com aroma frutado, fios de prata pendurados em salgueiros chorões.  
Pétalas de rosas sorrindo pelo chão, tapete vermelho, música ambiente.

Mas me interesso por conhecer pensamentos que diferem dos meus.. .

Pensamentos firmes , cheios de ousadia,
Mentes audaciosas e destamidas.  

Vejo os pensamentos como pequenos doendes que moram dentro da calota craniana.
Eles pulam e quando se esbarram fazem faíscas sinápticas.. 
Se desmancham e evaporam .
Sublimam em forma de  palavras gasosas
Derretem e caem como água pelos olhos.  
Escorregam pelos braços, caem nos dedos e viram letras.  
Que se atraem umas pelas outras, piscam os olhos, emitem belos sorrisos e se aproximam em palavras...
As palavras por sua vez flertam umas com as outras gerando frases e mais frases, que nada mais são do que os pensamentos voltando para o seu estado semi sólido inicial.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Me roubas espaços

Ela insistia em roubar espaços neuronais...
Seduzia um pensamento aqui , outro acolá.
Os empurrava para os lados, espremia nos cantos e quando menos se esperava , já ocupava o lugar de uma música, de um assunto burocrático, de um  vazio,  ou de uma simples descarga elétrica.
Entrava sem pedir licença , sem saber se comportar, sem dizer se vai sair ou vai ficar.
Dava um sorriso maroto de menina abusada, levanta levemente uma das sombrancelhas e fazia um ar debochado. de poder...
Ele  , como um menino inocente e assustado,  tremia nas bases, titubeava ,sentia um certo rubor na face , umas mariposas na parte baixa do abdômen, mas voltava a falar.
Estufava o peito, respirava toda a segurança acumulada no bolso , e economizada ao longo de pensamentos sem fim.
Separava  apenas poucas palavras previamente escolhidas como feijão da roça,  e na certeza incerta da falta de sentido, tropeçava em um querer descabido e deixava escorregar por  entre os dedos três ou quatro frases que deveria guardar...
Sintia um misto de prazer e ódio...
Em uma confusão mental ,os lábios perdiam a elasticidade e se alargavam, levantando suavemente as bochechas...
Uma certa luz  surgia nos olhos , como satélites disfarçados de estrelas em noites de lua cheia.
Os pensamentos surgiam e desapareciam  como as ondas daquele mar semi poluído onde tudo começou...
Com eles, a vontade de um cheiro que  já não lembrava, um gosto que não sabia o nome, um beijo que não fala a mesma língua, um toque que segue tatuado na ponta dos dedos, um vento que  perturba, uma voz que sussurra sons entorpecentes, e a constante imagem que se espalha por dentro dos olhos como a cegueira do diabetes causada pela falta ou excesso de açúcar...

Sentia sua presença passear livremente pelo corpo, escorregar neurônios abaixo como criança no parque , deslizar pelos braços e cair pelos dedos como notas musicais em forma de letras.
Escutava o vapor dos seus lábios nos dele ao ouvir as palavras por dentro quando elas caiam indiscriminadamente a sua frente. Era como se cantasse na sua boca as  palavras por ele escritas...

Em um delírio ele Imaginava aquele beijo cheio de palavras, música e poesia.

Ele a guardava nas gavetas das lembranças, mas ela ,exibida que é, insistia em ficar exposta nas prateleiras da estante.

Ele senta, e olha para ela como um  livro que nunca leu por inteiro...
Esboça um sorriso de menino levado, lê 3 ou quatro imagens, agradece a inspiração, ignora a transpiração, e se deleita na pura e simples descrição...

terça-feira, 21 de junho de 2016

Sobre a incoerência do amor

Dizer "Eu te amo " mas quero que você mude ...
É o mesmo que dizer Eu amo chocolate , mas gostaria que ele fosse salgado...

TPM

Sinto doer cada pedacinho sensitivo do Eu carnal e etéreo...
A natureza que atormenta o corpo e a mente todos os meses para provar que as funções primitivas dominam.
Uma descarga hormonal que se espalha no pensamento, no  coração e altera a sanidade física e mental.
A vã preparação de um ninho que não receberá prole.
Um descompasso corpóreo sentimental para o acontecimento de Nada.
E segue a Mãe Natureza insistindo em me preparar para algo que Eu não desejo.
E todos os ciclos me pergunto se me tornei aquela pessoa, ou se é mais uma brincadeira do Maroto Artesão da vida.
Totalmente Perdida Mesmo!!!
E espero com Sofreguidão  que aquela angústia se transforme logo em partículas de mim dissolvidas em dor muscular, aperto abdominal, e um molho vermelho que gera um desconforto e um pequeno alívio psicológico que surge e se esvai corpo a fora.

domingo, 19 de junho de 2016

A mesma busca


O barulho da chuva, e o peito trancado por grades imaginárias...
O peito sangrado por facas estatutárias...
O grito contido por mordaças regimentadas... A vida passa... Sorriso após sorriso , lagrima após lágrima,  o tempo começa a apertar...
O espaço interno diminuir....
O corpo inerte  se espalhar...
A barriga aumentar, o peito ceder...
O de costume normalizar, acomodar... O  desejo e os movimentos ensaiados a ferver e perecer...
A dor... E ardor...
O medo e a morte...
O norte e a sorte...
Pedaços nossos que caem pelo caminho...
A saudade...
O aconchego....
Olhos que vivem ainda em outros olhos....
Amarrados, aprisionados, açoitados, estilhaçados, estraçalhados de sol poente...
Esfarelando de mão em mão...
Umidificando de boca em boca...
A procura de um sim ou não
De um carinho a mais...
De um abraço um pouco mais apertado... De Um colo pro peito...
Um alento pro ombro repleto de mundo...
Um afago de dedos por trás da nuca... E um rio banhando os olhos... Como uma represa velha que nunca seca...
Como uma barragem desgastada que sempre vaza, Devasta, incomoda.... E no fim ,  tudo é encoberto por um governo de mim , que impõe que devo ser mais forte e valente.
Me põe em um circo de máscaras,  onde outros palhaços dançam sob a luz artificial gelada de um dia de inverno forjado na praça de alimentação de um shopping de quinta categoria... E por dentro... O desejo de um beijo a mais...
A vontade de um amor voraz...
O anseio do sempre...
A certeza duvidosa de um nunca mais...
O pagamento com o corpo...
A poesia em segundo plano...
A sedução da alma no corpo carnal...

E o gozo vazio... E tantos Eus... E tantos amores inventados, no vento....
O frio gelando por dentro...
E mesma menina tímida , sentada naquele balanço de ripa de madeira , com som de gaita desafinada, à procura de algum lugar...
De um colo de mãe, da amizade do pai, da verdade dos irmãos, da aceitação...
E o passo para escolher os seus... Que vem e vão... Os dentes que lutam secretamente no meio da noite , rangendo, trincando, deixando marcas na mastigação...
A vida dizendo dura : - "Sem frescura!  A vida é assim..."
O sono... Fiel refúgio , roubando o tempo ...
O medo...
O tremor das mãos... Um transbordar que não se cala... Mais uma fala vazia...
Uma noite de frases e putaria...
Um pouco mais do mesmo lugar...
A mesma busca , a procura de uma parte que parte , me parte e parte para algum lugar.

Poesia é...

" Poesia é um momento assim , como uma cidade vista da janela de um trem ... Aquelas luzinhas piscando...."
A Poesia é um sorriso entre os lábios , ou uma lágrima que se desprende de um canto da alma. Um filme  que passa por traz dos olhos, por dentro do peito, no corpo, na pele , na mente, na ponta dos dedos ou por dentro dos ouvidos....
Poesia,  é vida pintada com palavras... Mudas ou faladas, sub entendidas ou declaradas...
Poesia é ver arte , onde há concreto, e metal retorcido....
É ver magia, onde há simplicidade....
É alargar o horizonte e ver olhando para dentro....

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Agulha de vitrola

Aquele tom vez ou outra tocava por dentro... Como canção antiga anunciada á ponta de agulha de vitrola...
Surge nos ouvidos da mente ao acaso , sussurrando histórias com cara de outro e de outrora...
Sentia algumas gotas daquele calor correndo pelas veias...
Por vezes exalava dos poros, driblava as sinapses, saltava aos lábios e era possível sentir seu gosto quente na boca , um frio no estômago,  um gelado na espinha, e sua presença inventada e imagética nos dedos...
Um sabor de chocolate meio amargo com café expresso sem açúcar...Quente, levemente adocicado,forte,marcante,e com certo amargor gostoso no fundo do copo...
E apesar de não apreciar  café, ele caia como uma luva para a simbologia de uma saudade de algo que nunca existiu. 
Um paladar imaginado pelo cheiro intenso, porem, jamais experimentado  pelas  papilas gustativas...
E essa pseudo saudade ,que não é do corpo e  nunca o foi, é uma vontade oposta, que só existe pela sua contradição...
Um encontro surgido para ser poesia...
Uma cor bufante de paixão passada , amassada e jogada em um canto do armário dos fundos da casa....
Brota de forma sazonal, apenas para saciar a sede dos instintos dedicados a poesia, e seca no mesmo instante que floresce, tal como uma flor rara...
Vem pela voz... Pela arte... Por  duas ,três ou mais linhas escritas...
Por uma melodia antiga com cheiro de livro guardado na estante... Uma foto, uma imagem na mente, uma certa praia, um certo lugar, um certo momento... inexistente e com uma presença forte no mundo das idéias...